domingo, 1 de março de 2015

A diferença entre física e filosofia da física


Em função de discussões recentes neste blog, sobre física e filosofia da física, creio que esta seja uma ótima oportunidade para esclarecer, da melhor maneira possível, o que são essas áreas do conhecimento.

Justamente por não existir uma definição rigorosa que caracterize o que é o ramo do conhecimento usualmente chamado de física, a distinção entre física e filosofia da física fica bastante comprometida. No entanto, alguns pontos importantes podem ser salientados para evitar confusões bastante frequentes, principalmente entre aqueles que não têm familiaridade com essas atividades de investigação. 

De acordo com a usual visão dicionarizada, a física é o ramo do conhecimento que se ocupa do estudo da matéria, de energia e das interações entre matéria e energia. Essa noção por si só já abre espaço para muita discussão, uma vez que não existe um conceito claro para energia. Cada teoria física, em cada formulação, adota noções específicas sobre o que, afinal, é energia. Até mesmo o conceito de matéria é vago, uma vez que hoje em dia já se fala sobre a suposta existência de uma matéria escura (que pode estar permeando nossa própria galáxia) a qual interage com campos gravitacionais. No entanto, como campos gravitacionais exercem influência sobre matéria (no sentido tradicional da expressão), logo este conceito ainda hipotético atrai a atenção de físicos do mundo todo. 

Por que os físicos (indivíduos que desenvolvem a física) adotam uma noção tão vaga quanto a de energia? O motivo é ardiloso e parece remeter a uma necessidade humana de identificação de padrões matemáticos na natureza. Todas as teorias físicas são fundamentadas em princípios de invariância. Se um físico deseja estudar, por exemplo, colisões entre partículas, ele pode assumir que a energia total de um dado sistema de partículas é invariante (não se altera com o passar do tempo), apesar de outras grandezas físicas poderem mudar, como posição, velocidade ou momento linear. Ou seja, um princípio de invariância de energia pode ser adotado quando outros princípios de invariância não podem ser assumidos no contexto de uma dada teoria ou de um modelo que vise explicar um fenômeno físico em particular. Para uma inspirada visão intuitiva sobre o conceito de energia em física teórica, recomendo este link.

O leitor poderia questionar o que é um fenômeno físico. É justamente neste ponto que a física vive hoje em uma armadilha aparentemente criada pelos próprios físicos. De acordo com Karl Popper, famoso filósofo da ciência do século passado, toda teoria científica deve ser falseável. Em outras palavras, teorias científicas devem fazer previsões de risco. Neste contexto, se assumirmos que toda teoria física é uma teoria científica, então toda teoria física deve fazer previsões que possam ser contrastadas com observações ou experimentos realizáveis em laboratório. Se uma teoria física como a gravitação newtoniana prevê que uma pluma e uma bola de chumbo devem chegar ao solo no mesmo instante, quando largados de uma mesma altura, então o físico experimental deve ser capaz de fazer testes em laboratório para corroborar esta previsão. É claro que, para testar tal previsão, o físico experimental precisa realizar essa experiência em condições próximas de ideais (antecipadas pelo físico teórico), nas quais pluma e bola de chumbo não sofrem resistência do ar ou demais interferências. E, é claro, o físico experimental deve estar ciente de que todas as suas medições estão sujeitas a erros. Daí a necessidade do estudo de teoria dos erros, a qual é (em princípio) inerente a toda e qualquer teoria física. 

No entanto, a física atingiu nos dias de hoje certos níveis de abstração que desafiam a testabilidade de várias teorias, como a do Big Bang e as de cordas. A teoria do Big Bang se sustenta na tese de que o Universo foi criado bilhões de anos atrás, a partir de uma grande explosão que teria dado origem à matéria e até mesmo ao espaço-tempo. Mas como testar em laboratório a origem do Universo, uma vez que vivemos nele? O Big Bang foi um fenômeno físico? Já as teorias de cordas preveem a existência de dimensões extras (além das quatro dimensões do espaço-tempo antecipadas por outras teorias, como a relatividade geral) que são impossíveis (pelo menos nos dias de hoje) de serem verificadas como existentes ou inexistentes. Até mesmo a detecção do famoso bóson de Higgs (que rendeu o Prêmio Nobel para o seu idealizador) é confirmada apenas por evidências indiretas, sustentadas por muita análise estatística. Ninguém até hoje viu uma partícula (da mesma forma como é possível ver uma maçã) que pudesse ser imediatamente identificada como o bóson de Higgs. Isso ainda não é possível ser feito, sequer em princípio. 

Portanto, de duas uma: ou o critério de falseabilidade de Popper, para identificar teorias científicas, precisa de uma severa revisão ou várias teorias físicas (em um sentido social) amplamente estudadas hoje em dia simplesmente não são teorias físicas (em um sentido filosófico). Se existe uma distinção supostamente oficial entre física e filosofia da física (ou, como insistem alguns, entre os objetos de estudos da física e da filosofia da física), tal diferença serve muito mais aos propósitos burocráticos de políticas de financiamento de pesquisas do que aos propósitos de uma legítima e clara diferenciação entre ramos do conhecimento. 

Logo, o principal problema para caracterizar o que é uma teoria física reside na decisão de uma postura a ser adotada: devemos entender teorias físicas em um contexto social ou filosófico?

O contexto social é bem mais claro do que o filosófico: teorias físicas são aquelas que rendem publicações em periódicos especializados de alto nível (de acordo com critérios editoriais bem conhecidos) tradicionalmente identificados como publicações de física. Ou seja, é a prática social de pessoas formalmente contratadas como físicos em universidades e institutos de pesquisa que supostamente define o que são teorias físicas. 

Já o contexto filosófico é ainda um desafio muito grande. Existem aqueles que defendem que a postura popperiana depende apenas de muito trabalho ao longo de muito tempo para que ideias abstratas de hoje sejam corroboradas no futuro. Existem aqueles que creem que basta uma teoria física ser suficientemente elegante (do ponto de vista teórico) para que seja reconhecida como verdadeira. E existem aqueles que creem que teorias físicas devem apenas salvar as aparências, no sentido de que toda teoria física é quase-verdadeira. Esta última visão contrasta claramente com a postura popperiana. 

A postura social para qualificar teorias físicas é, hoje em dia, mais objetiva do que a filosófica. Isso porque a postura social depende da prática de editores e referees, em primeira instância, e de citações e aplicações tecnológicas, em segunda instância. No entanto, ela é altamente questionável. Isso porque podemos facilmente identificar ideias polêmicas publicadas em excelentes periódicos de física. Já a postura filosófica para qualificar o que é uma teoria física tem encontrado uma considerável dificuldade para acompanhar os avanços mais recentes e impactantes publicados nos periódicos de mais alto nível. Ou seja, Popper está ficando para trás, apesar de ser a mais conhecida referência filosófica sobre o que deve ser identificado como uma teoria científica. 

Como o estudo de física é uma atividade social (são pessoas e grupos de pessoas que investigam teorias físicas), é natural que a postura social para qualificar teorias físicas seja dominante sobre a filosófica. Ou seja, são os filósofos da física que devem se adaptar às práticas sociais dos físicos e não o contrário. Quem não concordar com esta visão, não tem escolha a não ser se empenhar em uma visão filosófica que seja socialmente aceita pelos físicos. Mas, para que isso ocorra, é ironicamente necessário que o filósofo se renda a uma postura social. Caso contrário, ele jamais será ouvido por físicos. Enquanto a filosofia da física for objeto de estudos apenas de filósofos (e não de físicos) ela jamais merecerá seu nome. Como promover filosofia da física sem contato com a física? Filosofia da física que não seja socialmente recebida por físicos é filosofia do faz-de-conta. 

O que é filosofia da física? Tradicionalmente é o estudo do caráter metodológico, epistemológico e ontológico de teorias físicas. Mas nas últimas décadas o papel do filósofo da física tem se modificado para algo novo, além da visão tradicional. Roger Penrose, por exemplo, especulou anos atrás que os únicos fenômenos físicos não computáveis ocorriam apenas em escalas quânticas. Esta especulação, de caráter claramente filosófico, foi baseada na experiência profissional de Penrose, intuitivamente compartilhada por muitos outros físicos. No entanto, da Costa e Doria provaram que a conjectura de Penrose precisava ser melhor qualificada, apresentando exemplos de não-computabilidade em teorias físicas clássicas. Este é um exemplo que sustenta a tese de Max Jammer de que certas especulações filosóficas em física teórica somente podem ser respondidas com o emprego do método axiomático, ou seja, com muita conta. Em contextos como este os papeis do físico e do filósofo da física comumente se confundem. Um físico, no sentido estrito do termo, pode legitimamente desempenhar um papel filosófico em seu trabalho, assim como um filósofo pode efetivamente contribuir para o avanço tanto da física teórica quanto experimental. Um exemplo muito elegante dessa nebulosa fronteira entre física e filosofia da física é a medição sem interação. Um artigo essencialmente especulativo publicado em Foundations of Physics deu origem a técnicas de fotografia nas quais luz jamais incide sobre o objeto fotografado.

Para que uma pessoa promova filosofia da física, é fundamental que ela esteja familiarizada com a contraparte matemática das teorias físicas, mesmo que sua filosofia seja meramente especulativa. 

Considere como exemplo a Terceira Lei de Newton. Em linguagem natural costuma-se dizer que a toda força de ação de um corpo A sobre um corpo B corresponde uma força de reação de B em A de mesma direção e intensidade, mas com sentido contrário ao da ação. No entanto, em formulações axiomáticas usuais da mecânica newtoniana não existe qualquer distinção entre uma força de ação e uma de reação. Isso porque ambas as forças atuam em um mesmo instante, não sendo possível estabelecer uma relação de causalidade que diferencie ação de reação, como a linguagem natural sugere. Como o filósofo pode perceber isso se ele especular filosoficamente a partir do que lê apenas em linguagem natural, sem conhecimentos detalhados sobre a matemática empregada em diferentes formulações da mecânica newtoniana? 

Todas as teorias físicas desenvolvidas nos últimos dois séculos são fortemente sustentadas por matemática, apesar de serem também alicerçadas por intuições que escapam do domínio matemático. E mesmo físicos experimentais são obrigados a se render à matemática da teoria de probabilidades e técnicas estatísticas. Ou seja, sem matemática não se concebe física, seja teórica ou experimental. Mas insisto: não basta matemática para se desenvolver teorias físicas.

Quando um filósofo especula em linguagem natural a respeito de alguma teoria física, ele naturalmente corre grandes riscos. Isso porque físicos adotam várias práticas contraditórias entre si, apesar de usualmente dependerem de teorias matemáticas clássicas (que supostamente evitam contradições). Há diversos exemplos na literatura especializada:

1) Neste link há uma discussão sobre um trabalho no qual os autores especulam a existência de partículas virtuais no estado de vácuo quântico. No entanto, todas as contas são feitas no escopo de uma teoria de campos e não de partículas. 

2) O célebre átomo de Bohr é um modelo físico para a estrutura do átomo que assume pressupostos contraditórios entre si (consegue identificar as contradições?).

3) Em mecânica quântica se emprega teoria de probabilidades para tratar do colapso de estados puros para auto-estados sem que seja explicitada a álgebra de eventos. Ou seja, físicos quânticos adotam probabilidades ou não?

Portanto, a especulação filosófica sobre qualquer teoria física é altamente questionável justamente porque a prática do físico teórico também é. E o perigo da especulação filosófica sobre uma teoria física se torna muito maior quando ela é sustentada por outra especulação filosófica. Esta, aliás, é uma prática indesejavelmente frequente. 

É bem conhecido que Ernst Mach especulou filosoficamente sobre a obra de Isaac Newton. Podemos, portanto, especular filosoficamente sobre as especulações de Mach? Esta é uma questão extremamente delicada. Por um lado, Isaac Newton abriu mão de muitas ferramentas matemáticas que ele mesmo criou, ao escrever sua obra máxima Principia, a qual retrata em primeira mão suas ideias que deram origem à mecânica newtoniana. Em segundo lugar, a vaguidade das ideias de Newton deu origem a múltiplas visões sobre o que é, afinal, mecânica newtoniana. Exemplos bem conhecidos são as formulações de McKinsey-Sugar-Suppes, Noll e Arnol'd que, por sinal, não são equivalentes entre si. Em terceiro lugar, as críticas de Mach sobre o conceito de inércia na obra de Newton também deram origem a múltiplas visões teóricas. Exemplos são as formulações de Assis e Sant'Anna-Maia, as quais são contraditórias entre si. Portanto, como especular sobre um especulador? Só existe uma maneira para fazer isso: com muito cuidado.

Se alguém deseja criticar (em linguagem natural) parte da obra de Newton, usando como referência Mach, deve deixar claro sobre o que está especulando. Isso porque esse tipo de atividade filosófica não recai apenas sobre uma teoria física, mas sobre uma visão histórica e parcial de uma teoria física que não atende aos conceitos atuais de rigor científico. Para que se especule filosoficamente sobre uma visão machiana da obra de Newton, é necessário que se leia com extremo cuidado tanto a obra original de Mach quanto a de Newton. E como fazer isso sem conhecimentos profundos de alemão e latim? Se se pretende resgatar uma visão histórica, o conhecimento desses idiomas é imprescindível. 

Se, porém, o objetivo é filosofar sobre uma interpretação específica e usual da visão machiana sobre inércia, não há necessidade da leitura do texto original de Mach (apesar de ser evidentemente desejável). Mas há a necessidade da leitura do texto original que aponta para aquela interpretação específica, com a devida citação, seja em artigo técnico (formal) ou de divulgação (informal). 

Cito um exemplo. Clovis Maia e eu publicamos um artigo no qual mostramos que uma conjectura de Andre Assis sobre inércia precisava ser melhor qualificada. Segundo Assis, a gravitação newtoniana (no sentido atual) é incompatível com a explicação da inércia dos corpos a partir de uma casca esférica com distribuição isotrópica de massa. O que Maia e eu fizemos foi mostrar que uma fórmula de gravitação com a mesma forma da newtoniana é compatível com um princípio de inércia baseado em uma casca esférica com distribuição isotrópica de massa, à qual Assis se refere como Princípio de Mach. Ou seja, fizemos um trabalho a partir de certas ideias de Assis e não de Mach. O que Assis afirma categoricamente sobre Mach é questionável. E o que Assis afirma categoricamente sobre sua própria visão a respeito de inércia também é altamente questionável. 

Trabalho semelhante fiz sobre uma conjectura altamente especulativa do filósofo Nick Huggett

A filosofia da ciência que consigo praticar, por conta de limitações pessoais, é aquela que envolve contas. Admito que tenho extrema dificuldade para lidar com filosofia especulativa. Mas essa dificuldade decorre do fato de que a filosofia especulativa demanda uma profundidade de conhecimentos que é muito mais rara do que usualmente se pensa. Não creio que exista no Brasil algum filósofo da física (ou qualquer outra pessoa) que consiga especular com responsabilidade sobre a obra de Isaac Newton, sem fazer confusões de contextos social, histórico, epistemológico, metodológico e ontológico. Para que uma especulação séria fosse feita, seria necessário um profundo conhecimento dos textos originais de Newton, do contexto histórico em que Newton produziu suas ideias, dos textos originais de seus mais conhecidos críticos e dos textos originais que traduziram matematicamente as ideias deste grande físico britânico ao longo dos séculos. Isso porque a obra original de Newton ramificou-se de uma maneira excepcional. Ignorar essas ramificações em um trabalho exegético sobre a obra de Newton se qualifica, na melhor das hipóteses, como uma análise histórica e não filosófica. Grandes mentes perceberam a obra de Newton de múltiplas formas. E é isso que faz de Newton uma das mais brilhantes mentes que já existiram. Sua obra transcendeu a qualquer expectativa que o próprio Newton poderia ter.

Uma das mais perigosas práticas dos filósofos da física de hoje é a persistente publicação de artigos escritos a duas mãos. Para que a filosofia da física atinja os níveis de excelência que teve no passado, é necessária a colaboração, a parceria. Teorias físicas antigas e consagradas ramificaram-se de múltiplas formas. Teorias físicas novas demandam conhecimentos matemáticos de extraordinária sofisticação. Quem consegue dominar múltiplos idiomas, história, sociologia, matemática, física teórica, física experimental e filosofia, para que possa especular filosoficamente sobre teorias físicas ou, pior, sobre teorias físicas antigas? Sem diálogo real entre especialistas de diferentes áreas, o filósofo da física está praticamente condenado a um mundo no qual se confunde especulação filosófica, científica e histórica com fantasia e devaneios. Aliás, um exemplo bem conhecido disso aconteceu surpreendentemente com o próprio Popper. 

Em uma palestra realizada na Itália, Popper defendeu ser possível a comunicação instantânea entre dois indivíduos, supostamente usando um princípio de não-localidade da mecânica quântica. Gian Carlo Ghirardi mostrou a Popper, na lousa, que essa ideia simplesmente não funciona. Popper teria respondido: "Não entendo as suas contas, mas eu sinto que isso funciona." Essa história está reportada neste livro

Se uma mente brilhante como a de Popper conseguiu cometer erro tão primário, quem é capaz de se julgar como um especulador infalível?

Escrevi esta postagem em virtude de manifestações recentes e eventualmente convulsivas de Olavo de Carvalho e de alguns bizarros seguidores a respeito de uma postagem minha neste blog. Pois bem, segundo Carvalho, ser filósofo é "acreditar piamente na capacidade humana de compreender a realidade e apostar a vida nessa crença." Já Bertrand Russell afirmou algo completamente diferente: "Eu jamais morreria pelas minhas crenças, pois eu poderia estar enganado." Por que esta posição de Russell? Porque este sim foi um filósofo.

99 comentários:

  1. Me senti tão estúpido lendo este texto.

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    1. Anônimo

      Há um filme dos irmãos Coen chamado Um Homem Sério, que conta a história de um físico quântico. Este filme mostra de maneira magistral como físicos quânticos são criaturas perdidas no mundo. E mesmo sendo pessoas perdidas em meio a enormes confusões, foram responsáveis por gigantescas conquistas tecnológicas. Os fantásticos resultados das atividades científica e filosófica são um bônus para a humanidade. Hoje com 50 anos de idade e 30 de carreira, sou compelido a aceitar minha própria estupidez. Este mundo em que vivemos é realmente um mistério.

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    2. Tu levou uma bela surra do Raphal de Paola.O que resta a voce eh apenas o ad hominem,nao eh mesmo?

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  2. Ad hominem? O tal Henrique Costa não sabe do que está falando. Deve ser um membro da tropa de choque do Olavo de Carvalho. Um idiota útil. Cuidado, Adonai.

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    1. Anônimo

      Já percebi entre seguidores de Carvalho esta necessidade de encarar debates como embates. Por alguma razão eles adoram a expressão "surra". Isso não é nada usual entre filósofos renomados e seus discípulos.

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    2. Adonai.

      Respostas oblíquas não são usuais entre homens honrados.

      Pelo menos neste blog fui eu o único a usar o termo "surra" e esclarecer seu sentido. Você realmente não lê meus comentários e segue debatendo com comentadores imaginários. Por que não respondeu a mim quando tratei disso?

      Você não conhece Alexander Dugin? Repito, não é um "filósofo renomado", é o ideólogo mentor de Putin que desenvolve as “teorias” que justificam a invasão da Ucrânia e o assassinato de opositores. Se você realmente já viu na vida algum filósofo, renomado ou não, deveria ser capaz de perceber que Dugin não é um deles.

      Esse tipo de vigarista intelectual não quer debate, quer conquistar território intelectual em platéias adestradas. Sua derrota nesse empenho para Olavo pode ser metaforicamentwe chamada de surra sem nenhum constrangimento.

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    3. OK, Daros. Vivemos realidades muito distintas. Se não se importa, acho que podemos encerrar nossa discussão.

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    4. OK, Adonai. Encerramos algo que não começou, pois você não acolheu uma única palavra minha.

      Quando descobrir quem é Dugin, vai lembrar de mim.

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    5. Daros,
      "estamos" debatendo filosofia da física. Pq vc fica citando Dugin a todo momento? Percebe que vc foi o único a cita-lo? Digo isso pois, talvez pela minha grande limitação, não percebi nenhuma intersecção entre filosofia da ciência e Dugin... muito menos em relação a Ucrânia e qualquer coisa do tipo. Dito isso: por que vc continua ocupando espaço nos comentários desse blog?

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    6. Este comentário foi removido pelo autor.

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    7. Caro Anônimo.

      Já deixei de comentar. Esse aí de ontem foi o último.

      Mas como você se dirigiu a mim só quero esclarecer que essa questão do Dugin é uma sequência de postagem anterior cujo título é Olavo de Carvalho. Ali, nos comentários que postei, é possível entender a conexão.



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  3. O texto inteiro é magnífico, mas gostaria de destacar o seguinte trecho:

    “Para que se especule filosoficamente sobre uma visão machiana da obra de Newton, é necessário que se leia com extremo cuidado tanto a obra original de Mach quanto a de Newton. E como fazer isso sem conhecimentos profundos de alemão e latim? Se se pretende resgatar uma visão histórica, o conhecimento desses idiomas é imprescindível.

    Se, porém, o objetivo é filosofar sobre uma interpretação específica e usual da visão machiana sobre inércia, não há necessidade da leitura do texto original de Mach (apesar de ser evidentemente desejável). Mas há a necessidade da leitura do texto original que aponta para aquela interpretação específica, com a devida citação, seja em artigo técnico (formal) ou de divulgação (informal). “

    Não queria escrever algo muito comprido, mas como não tenho nada melhor pra fazer, e sei que o Prof. Adonai é tolerante, gostaria de escrever um relato, potencialmente inútil.

    Há alguns anos, estava procurando um prisma de vidro para reproduzir alguns experimentos de óptica. Na época, não confiava em fazer compras pela internet e, como (decididamente) nunca gostei de improvisar com gambiarras, fiquei num mato sem cachorro. Até que, um belo dia, me deparei com uma pequena loja de artigos esotéricos (“Fada Mística” era o nome da loja), com alguns objetos de cristal na vitrine. Então entrei lá, na esperança de encontrar algo mais próximo possível de um prisma, tipo aquelas pirâmides que alguns acreditam canalizar energias e etc. Não encontrei o que queria, mas notei que a lojinha tinha uma boa quantidade livros. Fui dar uma olhada e, entre obras sobre maçonaria, candomblé, zoroastrismo, encontrei o seguinte título: “História da Filosofia Natural: do Mundo Antigo ao Séc. XIX”, de um cara chamado Edward Grant. Aquele livro me pareceu um peixe fora d’água naquelas estantes. Acabei me convencendo a comprar o livro não pelo título, mas pela tremenda quantidade de notas de rodapé presentes na obra, citando não só referencias, mas muitos esclarecimentos sobre tradução. Percebi que estava diante de um trabalho aparentemente cuidadoso. Encontrei outros livros interessantes lá sobre cosmologia, do Stephen Hawking e Marcelo Gleiser, mas quando voltei com dinheiro para adquiri-los, descobri que a lojinha já não existia mais...
    Hoje em dia, com internet, é possível comprar livros até nas Ilhas Fidji, mas quem já morou em cidade do interior sabe o quanto poderia ser difícil encontrar bons livros a disposição, e encontrá-los numa loja de artigos esotéricos foi surreal.
    Tá, e daí?...
    Enquanto voltava pra casa estupefato com aquela situação, percebi algo que me deixou incomodado: eu confiava cegamente nas traduções que lia.

    Sebastião

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  4. É, parece que o efeito " Olavo de Carvalho" ainda vai durar algum tempo neste blogue. Citar o dito-cujo parece como citar o Diabo: vem um monte de coisa ruim junto...

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    1. Eduardo

      Não se preocupe. Este foi um efeito de apenas algumas semanas. No que depender de mim, o nome Carvalho não será mais mencionado por aqui.

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    2. Adonai.

      1- Você tomou a iniciativa de escrever uma postagem cujo título é OLAVO DE CARVALHO, onde disse tudo o que quis.

      2- Ao ser confrontado com argumentos, continuou repetindo o que dissera, sem incluir em suas respostas o resultado da assimilação e superação das refutações.

      3- Escreveu uma segunda postagem justificando a primeira, praticamente repetindo-a com outras palavras.

      4- Agora decreta o encerramento do assunto e ainda posa de vítima de “olavetes”, “seguidores bizarros” e “arrogantes”.

      5- Esconde-se atrás dos seus seguidores, que lhe fazem comentários favoráveis, respondendo-lhes e apoiando prontamente a qualquer comentário anti-Olavo, por mais irracional e superficial que seja.

      Você não se envergonha?



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  5. Adonai.

    Confirmada minha suspeita. Não há nada sobre filosofia neste texto. Restringe-se à física e ao esforço que alguns físicos ou filósofos da física realizaram para refletir sobre... física. Segue adiante fazendo distinções entre física e filosofia da física.

    Não cita nem um único filósofo. Nick Huggett é outro filósofo da física. Popper é um ideólogo. Russell, um lógico que fez as mais constrangedoramente pueris afirmações quando se meteu a falar de política ou religião.

    Ao menos você confessa quando diz “Admito que tenho extrema dificuldade para lidar com filosofia especulativa. Mas essa dificuldade decorre do fato de que a filosofia especulativa demanda uma profundidade de conhecimentos que é muito mais rara do que usualmente se pensa“. É claro, pois a atividade filosófica, que é diferente de estudar obras de filosofia, só é realizável sobre um vasto e profundo conhecimento prévio em muitas áreas.

    Curioso que você sempre acrescente o adjetivo “especulativa” quando cita a filosofia, de modo aparentemente pejorativo, embora admita não conhecê-la.

    Seu esforço literário em concluir o texto com um parágrafo apoteótico resultou num patético. “Acreditar piamente na capacidade humana de compreender a realidade” não é, em si, uma “crença” no mesmo sentido que Russell atribui ao termo em sua frase, mas uma postura existencial. Trata-se de um ato de confiança no pensar, atributo essencial do ser humano, sem o qual se desistiria de compreender a realidade. O relativismo tem esgarçado o tecido social e gerado inação. O que se afirma é a crença na capacidade de compreender a realidade, não a crença numa certa interpretação da realidade. Creio que nem Russell admitiria estar errado neste caso, isto é, não admitiria ser incapaz de compreender a realidade, pois ele sempre procurou fazê-lo a seu modo. E “apostar a vida” em algo não é o mesmo que “morrer” por algo. Final apoteótico como no carnaval curitibano.

    Há várias outras afirmações neste texto que eu poderia tentar refutar. Mas não sei se eu, ou mesmo você, estaria interessado. Referir-se a Raphael de Paola, que gravou em vídeo uma palestra de uma hora sobre este assunto, como “seguidor bizarro” foi um “argumento” bizarro e sórdido que eu realmente não esperava encontrar neste blog.

    Físicos debatem com físicos, matemáticos debatem com matemáticos. Não sou uma coisa nem outra, você é, por isso não penso em debater com você nestes campos. Mas assim como você, eu também não sou filósofo. Sei que seu doutoramento foi no departamento de filosofia, mas no campo restrito da lógica e filosofia da ciência. Julguei que meu modesto interesse em filosofia pudesse encontrar proveito neste blog, mas julguei mal. Você manifesta desprezo e escárnio pela filosofia que admite desconhecer, exceto pela “fashion” filosofia analítica.

    Mas estava tudo claro desde o início. Reproduzo abaixo algumas de suas frases anteriores:

    “..não gosto de filosofia especulativa...prefiro a filosofia da ciência...a filosofia tem por objetivo resolver problemas de caráter fundamental em ciência...entendo a noção de tempo (para falar de eternidade) no contexto, por exemplo, de uma teoria formal axiomática para a mecânica newtoniana...Olavo de Carvalho não é filósofo (pois não age como tal).”

    Se eu tivesse prestado mais atenção a essas palavras teria poupado muita argumentação inútil. As condições já estavam dadas e eu não tinha qualquer chance. Acabaria arrastado para dentro do compartimento conceitual da física-matemática axiomatizada, onde seria espancado por uma gangue de acadêmicos engajados numa feroz demarcação de território intelectual e “social”.



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  6. Adonai

    "Nunca discuta com um idiota... Ele te rebaixa ao nível dele e te vence pela experiência..."

    Bárbara Coré

    Olavetes de plantão, acho que já deu né?

    Professor melhor voltarmos a outros assuntos.

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    1. Hugo

      As quatro postagens anteriores a esta e publicadas ontem já são sobre outros assuntos. Mesmo assim julguei necessário esclarecer alguns pontos sobre física e filosofia da física. Mas você tem razão, ao insinuar que o tema Carvalho já esgotou.

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    2. Sim Adonai, vi as postagens, muito boas por sinal
      Mas faço menção a esta pois infelizmente nem mesmo como excelentes argumentos é possível manter um dialogo com gente de mente fechada.
      Não entendo de filosofia, mas é a primeira que vejo filósofos que possuem certezas absolutas e arrogância.

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    3. Hugo

      Já que você não entende de filosofia, se puder dá uma olhada nos livros Ecce Homo e Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche. É arrogante a extremos, mas ainda assim é alguém que coloca a cuca do leitor para funcionar. Ou seja, pelo menos em minha opinião, existem arrogantes que valem a pena ser ouvidos.

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    4. Adonai,nutrir desconfiança aberta em relação a chamada "filosofia especulativa" e admirar,como parece ser o caso, um personagem da história da filosofia que estava muito, mas muito mais para poeta do que para filósofo não deixa de ser curioso...

      Assim Falava Zaratustra é praticamente um tipo de cântico salmodiado...

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    5. Anônimo

      Pode crer que eu também me surpreendo com isso. No entanto sou também capaz de apreciar música e cinema, entre outras formas de cultura.

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  7. 01 - "Neste contexto, se assumirmos que toda teoria física é uma teoria científica, então toda teoria física deve fazer previsões que possam ser contrastadas com observações ou experimentos realizáveis em laboratório"

    Mas a lei da inércia é impossível de ser testada experimentalmente. Basta ler o artigo de Ricardo Lopes Coelho, "The Law of Inertia: How Understanding its History Can Improve Physics Teaching".

    02 - "Em março último, Paul Steinhardt publicou neste periódico que a teoria do universo inflacionário não é mais científica, uma vez que se tornou tão flexível a ponto de acomodar qualquer resultado observável" no post "Artigo na revista Nature expõe grave crise na física teórica", de 27 de dezembro de 2014

    Segundo Carlos Friedrich Loeffler, em seu livro "Fundamentação da Ciência Espírita", é o mesmo caso para a lei da conservação de energia. Ele diz que "Se, por alguma razão, o balanço energético num sistema natural não for obedecido, pode-se facilmente aventar a existência de uma nova forma de energia, ainda não conhecida, que se introduz no processo. É verdade que é preciso muitos e muitos testes para que, num caso como este, seja eliminada a possibilidade de erro de medida, interpretação, cálculos etc. No entanto, a anti-matéria e outras partículas sub-atômicas foram descobertas exatamente assim, para ‘fechar’ o balanço de energia".

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    1. Enfant

      Sobre a lei da inércia, há um experimento muito conhecido que a confirma. Dá uma olhada no vídeo abaixo:

      https://www.youtube.com/watch?v=6gzCeXDhUAA

      Mesmo assim pretendo ler o artigo de Coelho. Grato pela indicação.

      Sobre princípios de conservação de energia, a questão é um pouco mais delicada. Podemos ignorar conservação de energia, se levarmos em conta, por exemplo, conservação de momento angular.

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2012/02/erros-que-funcionam-muito-bem.html

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    2. Adonai, é impossível testar experimentalmente a lei da inércia porque ela descreve uma situação inexistente (um corpo que não está submetido a nenhuma ação externa). O próprio Newton não se preocupou em tentar apresentar qualquer
      fundamentação experimental ou observacional da lei da inércia, ele descreveu suas três leis do movimento como “axiomas”. Isso quer dizer que ele considerava que essas leis não deveriam ser provadas e sim utilizadas como suposições não demonstradas para provar outras proposições. As situações nas quais se tenta, hoje em dia, mostrar exemplos da lei de inércia são casos em que a resultante das forças que age sobre o corpo é considerada nula. Isso é diferente de uma situação em que não existem forças agindo sobre o corpo. E só se conclui que a resultante é nula... porque o movimento obedece à lei da inércia. Segundo Ricardo Coelho, a lei da inércia “não pode ser corroborada nem falsificada por nenhum experimento [...]”. “Se não podemos fazer qualquer experimento relativo a essa lei, não podemos saber se ela é correta” (Coelho, 2007, p. 965).
      Se quiser uma discussão extensa e em português sobre o assunto, veja o recente artigo do físico Roberto de Andrade Martins "A FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA DA LEI DA INÉRCIA".

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    3. Enfant

      Justamente por conta disso que se ressalta na postagem a respeito das chamadas condições ideais e de critérios estatísticos. Seu argumento poderia ser usado para afirmar que é impossível testar a existência do bóson de Higgs. No entanto, foi testado ao longo de anos, com inúmeras experiências. É claro que existem as críticas relativas ao caráter metafísico do conceito de força, o que torna a noção de inexistência de ação externa extremamente delicada, do ponto de vista filosófico. No entanto, a prática mostra que há experiências suficientes para convencer físicos de que a lei da inércia não é uma mera arbitrariedade impossível de ser testada. É apenas uma lei física que depende de múltiplas experiências para convencer a comunidade de físicos de sua aparente validade. Devemos tomar muito cuidado com afirmações radicais como "é impossível" ou "sempre é assim". Os trabalhos de Coelho e Martins devem ser encarados como reflexões necessárias. Mas devemos ignorar outras visões, principalmente quando são socialmente consolidadas.

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    4. Caro Adonai,

      Creio que vc quis dizer "Mas NÃO devemos ignorar outras visões"... Bom, ocorre que a meu ver o Roberto é "O" grande físico da atualidade, com um trabalho acadêmico de ponta, verdadeiramente primoroso, e está revolucionando a História da Física com suas pesquisas, mostrando várias vezes que o que é "socialmente consolidado" está, muitas vezes, errado. Seu trabalho como filósofo também é inigualável no Brasil (em minha humilde opinião). Não é que eu ignore as reflexões dos demais, mas me interessam muito mais as reflexões de quem está na vanguarda do campo.

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    5. Enfant

      OK, você me convenceu. Examinarei os artigos dele. Grato pela sugestão.

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    6. Embora não exista uma definição unânime para energia, ela é uma só. Não se supõe outra forma de energia, e sim manifestações diferentes da mesma. Por isso, não se aventa uma nova forma de energia para se explicar algo. No caso das partículas, existe o Modelo Padrão que dá conta delas. É a partir dessa teoria que as partículas são procuradas, como o boson de Higgs, que foi predito teoricamente bem como o neutrino, antes de obtermos evidência dele. É preciso prudência com o que se diz, pois, evidentemente, a forma que expôs sobre energia dá margem à interpretação distorcida de um conceito físico para fins particulares de uma crença. Não existe validade para uma "Ciência Espírita", pois tal não se enquadra em critérios científicos. Um cientista usar os termos Ciência e Espírito para que ambos tenham a mesma credibilidade revela desconhecimento da epistemologia científica e um desejo de charlatanismo. Não dá pra levar pessoas assim a sério. De verdade.

      Renato.

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    7. Uma pena que o camarada acima se fie tanto em autoridades; demonstra falta de senso crítico, carência e insegurança intelectual profundos. Bons cientistas publicam em periódicos de grande credibilidade e impacto. E ainda assim não devemos aceitar suas ideias só por causa disso. Seria um tiro no pé... Com uma carabina 12...

      Renato.

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    8. 1) Uma pena que o camarada acima se fie tanto em autoridades; demonstra falta de senso crítico, carência e insegurança intelectual profundos.

      Isso foi o que você demonstrou ao acreditar na RationalWiki.

      2) Bons cientistas publicam em periódicos de grande credibilidade e impacto.

      Garanto que isso não falta a nenhum dos autores que citei. Vá ver as publicações de Roberto de Andrade Martins, a quem você, pelo visto desconhece totalmente:

      http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783911A7

      2) E ainda assim não devemos aceitar suas ideias só por causa disso

      E por acaso eu disse isso? São autores, porém, cuja leitura dos artigos se fazem extremamente necessárias para conhecermos o que está na vanguarda do campo. A qualidade de seus artigos é fenomenal.

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  8. Mais uma coisa: se meu argumento poderia ser usado para afirmar que é impossível testar a existência do bóson de Higgs, paciência. Há casos de partículas BEM piores, como o neutrino dextrógiro. Dois artigos ilustram bem este ponto, um chamado "Criaturas exóticas da nova física", publicado na Scientific American Brasil, maio de 2013, págs. 30-35, e outro de Klauber, R.D. (2000) “Modern physics and subtle realms: Not mutually exclusive”. Journal of Scientific Exploration, v. 14, no 2, 275-279.

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    1. O último periódico segundo a RationalWiki é muito pouco confiável, servindo de repositário à pseudociência e ao negacionismo da Ciência. Obviamente é claro o motivo pelo qual você tenta refutar a todo custo as evidências científicas, seja para a inércia ou o boson de Higgs: descredibilizar a Ciência, pois, assim, torna-se fácil querer levá-la ao mesmo patamar das ideias espíritas ou das que não resistem ao crivo científico rigoroso. Ora, se não é possível confiar no espiritismo, por exemplo, porque não conseguimos evidências concretas das afirmações que faz, o mesmo pode ser dito da Ciencia, segundo tal concepção, e assim ambas têm o mesmo valor. Geralmente os artigos publicados em periodicos como o JSE são nebulosos e de metodologia questionável; são publicados ali simplesmente para defender crenças de cunho pessoal. Não nos esqueçamos que, como bem disse Carl Sagan, a Ciência cumpre o que promete e alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.

      Renato.

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    2. Renato,

      1) a RationalWiki é que é pouquíssimo confiável, completamente dominada por céticos fanáticos que buscam descredibilizar a Parapsicologia a todo e qualquer custo. Espanta-me que você não tenha o menor senso crítico quanto a ela, acreditando cegamente em tudo que ela diz. O próprio linguajar desrespeitoso que ela se utiliza já deveria ter feito seu senso crítico apitar. E eu não defendo o espiritismo, cujas todas as formas existentes são religião, mas há evidências científicas para a vida após a morte publicadas em periódicos super-respeitáveis, como o JAMA, o Journal of Nervous and Mental Diseases, o American Journal of Psychiatry, entre outros. Alguns exemplos:

      a) Kelly EW, Arcangel D. An investigation of mediums who claim to give information about deceased persons. J Nerv Ment Dis. 2011 Jan;199(1):11-7.

      b) http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=342332

      c) Three new cases of the reincarnation type in Sri Lanka with written records made before verification. J Nerv Ment Dis 1988 Dec;176(12):741. Disponível em: http://medicine.virginia.edu/clinical/departments/psychiatry/sections/cspp/dops/dr.-stevensons-publications/STE27a.pdf

      Ou seja, dizer que a ideia de vida após a morte não resiste ao crivo científico rigoroso se baseia somente em seu desconhecimento da literatura.

      2) Geralmente os artigos publicados em periodicos como o JSE são nebulosos e de metodologia questionável; são publicados ali simplesmente para defender crenças de cunho pessoal

      Tenho certeza que você jamais leu 1 artigo do JSE. Não é que esse journal seja perfeito, mas certamente está longe dessa generalização indevida que você fez dele.

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  9. Parte 2:

    https://drive.google.com/file/d/0B3KplzN1JT7qZlhaMkZWbVp6UXc/view

    Atenciosamente,
    Raphael De Paola

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  10. Prof. Adonai, tentei duas vezes postar aqui o link para a parte 1 da minha resposta, mas não funcionou.Não vejo minha postagem aqui tal como a segunda aparece.

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    1. Raphael

      Peço desculpas pelos problemas técnicos daqui. De tempos em tempos o blogger apresenta várias falhas. Se quiser enviar qualquer comentário para meu e-mail (adonai@ufpr.br) terei prazer em publicá-lo aqui a partir de minha conta.

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  11. https://drive.google.com/file/d/0B3KplzN1JT7qOTZkTUhEQ2dwQkk/view

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    1. Raphael De Paola

      Grato pelo texto. Lamentavelmente só poderei ler nos próximos dias. Espero que mantenha este link no ar até lá. Assim que puder, responderei.

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    2. Acabo de fazer uma leitura dinâmica de seu texto e já adianto que o responderei na forma de comentário aqui mesmo. Se eu demorar demais para responder, não hesite em cobrar.

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  12. Adonai: "Já percebi entre seguidores de Carvalho esta necessidade de encarar debates como embates."

    Você tem coragem de escrever isso após ter chamado o professor Raphael De Paola de "bizarro"?

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    1. Bem, não vejo embate no uso deste adjetivo. Eu poderia ter dito "surpreendente". Isso porque aparentemente é um jovem com boa formação. E acho bizarro uma pessoa com este perfil falar tantas coisas sem sentido.

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    2. Então você poderia, ou melhor, deveria, que afinal é o que se espera de um cientista sério, ao invés de simplesmente chamá-lo de bizarro, apontar UMA das "tantas" coisas que para você são "sem sentido", e dizer porque não tem sentido ou simplesmente perguntar, "o que você quer dizer com isso?".

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    3. Será que não passa pela cabeça de um cientista sério que o que NÃO TEM SENTIDO pra você pode ter sentido para outros? Sobretudo para quem termina o texto citando como exemplo de filosofar, "eu jamais morreria pelas minhas crenças, pois eu poderia estar enganado." Em que ficamos?

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    4. Sim, Anônimo. O conceito de bom senso é, de fato, vago. No entanto, apenas defendo que sequer seja possível criticar pontos específicos defendidos no vídeo. Isso porque o discurso não é qualificado. Mas não se perturbe tanto com isso tudo. Se você se sente bem com aquele tipo de discurso, sinta-se livre para apreciá-lo.

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    5. Caro Anônimo.

      O administrador deste blog solicitou-me que eu encerrasse com ele nossa discussão. Mas como ele nada mencionou sobre minha participação neste blog com outros comentadores, vou me manifestar nesta sequência que você iniciou. O moderador pode, claro, expulsar-me ou bloquear meus comentários, se quiser. O blog é dele.

      Pois bem, referir-se a um colega como “bizarro” é uma grosseria mas não chega a ser ofensivo entre homens adultos. Mas o termo “seguidor” é mais revelador a respeito de quem o profere. É o que sociólogos designam “técnica de invalidação social”. Consiste em negar ao interlocutor seu status de indivíduo, desqualificando, aprioristicamente, quaisquer argumentos, atribuindo-os todos a uma fonte que não sua própria individualidade. Isso é sórdido, como já disse antes.

      Esquivas cheias de relativismos cínicos, quando acuado por argumentos, também são reveladores. Como na frase “Mas não se perturbe tanto com isso tudo. Se você se sente bem com aquele tipo de discurso, sinta-se livre para apreciá-lo”. Ou então “O conceito de bom senso é, de fato, vago”.

      Outro recurso nessa linha é exigir em qualquer argumentação aquilo que é de fato necessário em artigos acadêmicos. Rechaçar indiscriminadamente como “não qualificado” é um abuso. Ou seja, se você não escrever seu texto em forma axiomática ou em código binário provocará uma pane cognitiva e obterá em resposta algo como naquele antigo seriado “Perdidos no Espaço”:
      NÃO TEM REGISTRO... NÃO TEM REGISTRO...

      Usando uma imagem mais contemporânea, diria que o estudo da Filosofia proporciona um upgrade no sistema operacional e na capacidade do HD. Sem isso, um programa aplicativo incompatível pode até queimar os circuitos do processador.





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    6. Daros e demais seguidores de OdeC

      Com todo o respeito, se não concordam com os argumentos de Adonai, por que ainda insistem com estes comentários verborrágicos? Acho que já chega. O blog tem por objetivo é de compartilhar opiniões e não ver quem é o "bonzão" nos debates. Se quer uma briga de intelectos, sugiro que jogue xadrez.

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    7. Hugo.

      A que "argumentos" você se refere? É exatamente sua ausência que denuncio quando exponho estratégias ardilosas.

      Chamar-me de “seguidor” quando acabo de expor a semvergonhice deste recurso é puro cinismo. Falo por mim, não reconheço a existência de tal coletivo amorfo.

      E não se trata de concordar X discordar.

      Mas não se preocupe. Eu já tinha até ido embora. Voltei quando Raphael de Paola e mais gente da Física entrou e interessei-me em acompanhar os desdobramentos. Ia ficar na minha, mas nâo resisti a essa bola fácil levantada na rede. Deu mole...

      Depois eu saio. Não como leitor, claro, porque tem muita coisa boa neste blog, que acompanho há alguns anos. Sob muito aspectos, sou admirador do Adonai e de seu trabalho.

      Fique tranquilo, sou uma pessoa civilizada. E você pode pular os meus comentários, que estão todos assinados. Não precisa cassar a minha palavra, talvez alguém possa se interessar por ela. Não sou físico, mas não é preciso sê-lo para identificar ardis argumentativos.

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    8. Daros

      Já discordei de várias opiniões de Adonai. Não estou defendendo-o só queria que essa discussão terminasse, pois não está levando a nada.

      Você também insinuou que o Adonai se esconde atrás de seus seguidores. Se você não gosta de ser chamado de seguidor de OdeC também não invente seguidores para ele.

      No mais não casso opinião de ninguém, nem o considero como uma pessoa não civilizada, pare com essa paranoia. Você é um cidadão que merece respeito, assim como todos nós..

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    9. Hugo.

      Quando mencionei "seguidores" no caso do Adonai referia-me a seguidores do blog. Este é o termo usado para designar pessoas que postam comentários, que "acompanham" ou “seguem” as postagens. Especifiquei referir-me aos que fazem comentários “favoráveis”. Percebe a diferença? Adonai desqualifica pessoas tachando-as de meros discípulos. Isso é muito feio.

      Preste atenção em como não estou exatamente discordando de opiniões. Estou expondo uma certa atitude reprovável. Opiniões pressupõem informações. Se não se tem informações, a respeito de quê se formam as opiniões? Adonai demonstra não apenas ignorar a obra de Olavo, mas desprezá-la por antecipação.

      Lembre-se que esta celeuma teve início quando Adonai tomou a iniciativa de postar um texto cujo título é exatamente OLAVO DE CARVALHO. Esperava o quê? Do interior do compartimento conceitual da física-matemática axiomatizada desfere impropérios contra um filósofo cuja obra dá várias voltas em torno deste compartimento acadêmico sem que ele tivesse percebido antes, e depois iria simplesmente recusar-se a aceitar os desdobramentos de sua ação? Considerando indivíduos como uma tropa? Não dá.

      Olavo não me conhece, nem sabe que existo. Não sou seu aluno. Sou um mero leitor que pensa. Acompanho o blog do Adonai e decidi contribuir para esclarecimento. Só isso. Não como físico ou matemático, que não sou, mas como alguém atento a essas manobras evasivas de quem pisa na bola depois quer sair de fininho. Não vai, não.

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    10. Daros

      Apenas uma correção: não considero este blog como meu; considero-o como um bem público administrado por mim. Portanto, não cabe a mim expulsar pessoas ou proibir diversas manifestações. De fato, prefiro não prosseguir em discussões com você. Mas sinta-se livre para dialogar com aqueles que assim o desejarem. Minha única interferência sobre comentários ocorre quando alguém usa vocabulário chulo ou promove ataques pessoais. No mais, aqui é um fórum público.

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    11. Mais um esclarecimento...

      Não consigo perceber como eu poderia desqualificar uma pessoa ao afirmar que ela é discípulo de alguém. Eu mesmo já afirmei em diversas ocasiões que sou discípulo de Newton da Costa.

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    12. Não é que eu "me sinta bem" ou não me sinta bem com aquele tipo de discurso, e isso, em um estudioso sério, nem deveria contar. A questão é se o CONTEÚDO do discurso, e não o discurso em si, é verdadeiro ou falso, se tem sentido ou se não tem sentido, que também não tem nada a ver com SENTIDO COMUM. Volto a repetir, se você não viu sentido, se você acha que não tem sentido, pergunte pelo sentido, ou diga simples e humildemente, "não entendo", ao invés de desqualificar a pessoa. Isso sim é péssimo uso do argumento de autoridade.

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    13. O termo usado foi seguidor, não discípulo.

      E um blog é um ambiente privado, sim, por definição. Mesmo que seu proprietário o disponibilize para uso público.

      E eu não questiono o direito de um blogueiro de escolher seus critérios de inclusão ou exclusão. Sou defensor da propriedade privada e da livre iniciativa.

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    14. Adonai.

      Retificando: O termo usado EM SEU TEXTO, que considerei ofensivo, foi “seguidor”.

      Em meu esclarecimento ao Hugo enfatizei usando o termo “MERO discípulo”, apenas para fazer a distinção com “seguidor do blog”, que gerou o mal entendido acima.

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    15. Anônimo

      Sempre que afirmo que algo carece de sentido, sou capaz de justificar. Quando critiquei, por exemplo, certas afirmações de Carvalho, mostrei pontos nos quais o discurso dele carece de sentido. Mas, novamente, não insistirei nesses pontos, os quais estão se tornando já exaustivos. O que farei em breve é apenas responder a um comentário relativo a um vídeo no YouTube, indicando alguns pontos que também não têm sentido.

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  13. Então se identifique!

    Qual é o seu trabalho de pesquisa?

    Vamos comparar a sua produção ou dos que você defende com o do professor Adonai ou talvez com o do professor Newton da Costa?

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    1. Cara Maria Espíndola.

      Como assim? Isso aqui não é uma banca de doutorado, é um blog. Não se requer curriculum, que eu saiba.

      Que fundamentação acadêmica é necessária para dizer o que tenho dito? Não apelei para conceito algum próprio de qualquer ciência.

      Não estou aqui na qualidade de quem goza das prerrogativas conferidas por um título, seja ele qual for.

      Não estou defendendo ninguém. Defendo aquilo que penso e que está aí exposto com razoável clareza, honestidade e civilidade.

      Se não gosta, não leia. É só olhar no alto do texto: “Xiii, Daros de novo! Vou pular”.

      Se não me quer aqui, solicite o bloqueio de meus comentários. Adoraria conhecer suas justificativas.

      Blogues são espaços privados, cabe a seu proprietário fazer o que achar melhor. Seria mais razoável me excluir do que me arrastar para dentro de um compartimento conceitual restrito onde acadêmicos ostentariam seus títulos. O meu está em alguma gaveta por aí, não preciso dele para sustentar esse tipo de argumentação, que não é de natureza físico-matemática ou lógico-simbólica.

      Diga claramente o que contesta em meus comentários. Foi isso que fiz até agora.

      Vamos combinar: Vou ficar na minha, bem quietinho aqui no meu canto, só assistindo ao debate entre os físicos profissionais. Só me manifestarei se testemunhar algum daqueles truques verbais desabonadores que venho denunciando. Tipo torcedor de futebol que reclama de uma jogada irregular, sem xingar nem ofender ninguém. Tá bom assim?

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    2. Daros

      A minha inquirição foi gerada exatamente pelo que você escreveu em diversas ocasiões, como por exemplo: "...Lembre-se que esta celeuma teve início quando Adonai tomou a iniciativa de postar um texto cujo título é exatamente OLAVO DE CARVALHO. Esperava o quê? Do interior do compartimento conceitual da física-matemática axiomatizada desfere impropérios contra um filósofo cuja obra dá várias voltas em torno deste compartimento acadêmico sem que ele tivesse percebido antes, e depois iria simplesmente recusar-se a aceitar os desdobramentos de sua ação? Considerando indivíduos como uma tropa? Não dá…" Ao contrário do que você afirma acima “…Não estou defendendo ninguém. Defendo aquilo que penso e que está aí exposto com razoável clareza, honestidade e civilidade…”.
      Portanto, vamos a verificação de sua afirmativa! Na verdade, eu não fiz mais do que propor que demonstres o que tens afirmado! Desde que você faz afirmações como a que ressaltei acima!
      Aliás o que significa sua afirmação: “… Do interior do compartimento conceitual da física-matemática axiomatizada desfere impropérios contra um filósofo…”

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    3. Maria Espíndola.

      A natureza de seu questionamento me leva a supor que você passou a acompanhar meus comentários a partir desta postagem, A DIFERENÇA ENTRE FÍSICA E FILOSOFIA.

      Porém estes comentários, assim como a própria postagem, são continuação de postagem anterior, OLAVO DE CARVALHO, na qual iniciei minha participação.

      Asseguro-lhe que a resposta à sua inquirição está contida na sequência completa de meus comentários, nas respostas do Adonai e, claro, na repercussão um tanto celeumática manifesta por outros comentadores.

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    4. Daros

      Muito pelo contrário, foi exatamente por esse motivo que acabei perdendo a paciência. Nada justifica teus comentários como os acima citados...

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  14. No caso me referi a você Daros.

    A única informação que você fornece é o seu blog, o qual não tem nenhuma informação ou postagem!

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    1. Gente, por favor, vamos manter a calma. Não gosto do argumento da autoridade. Aqui é um fórum para trocas de ideias, independentemente de quem as defenda.

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    2. Me desculpe Adonai, mas acontece que não é exatamente o que está sendo propalado! Cansei de ver alguém cuja identificação não existe se arvorar em opinar sobre o que você escreveu. A pessoa critica e diz que você está se esquivando e, no entanto não se identifica...

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    3. Maria Espíndola.

      Não forneci nenhum blog aqui. Você encontrou em sua própria busca.

      Deve estar se referindo a um que, de fato, registrei na Internet mas ainda não iniciei as postagens.

      Volte lá daqui a alguns dias, se quiser.

      Então, combinado. Vou ficar assistindo.

      Até breve.

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    4. Mariia

      Pois é. Acabei desistindo de tentar diálogo com Daros. Não tem sido produtivo.

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    5. Mariia Espindola.

      Leia tudo você mesma e avalie se houve, de fato, essa alegada tentativa de diálogo.

      Tire suas próprias conclusões.

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    6. Adonai

      Eu concordo contigo e tendo acompanhado essas postagens desde o artigo anterior sobre o tal do Olavo, acabei perdendo a paciência… Depoimentos desse fulano, daquele físico o tal do Raphal de Paola, que te faz críticas naquele vídeo, são as coisas mais esdrúxulas que assisti ultimamente. Me pergunto como alguém com a formação dele, inclusive pelo CBPF pode falar tanta bobagem. Fiquei pasmada… Apesar de que o nosso professor no curso de doutorado no CBPF de Mecânica Estatística toda vez que aparecia algo envolvendo a Mecânica Analítica ele dizia: “desse assunto eu não entendo nada, perguntem ao Oslim e a Maria, que são especialistas.” E agora eu volto ao antigo debate, muitos obtém o doutorado mas não tem domínio sobre a física ou matemática básica, e acabam se perdendo, gerando esses discursos deprimentes...

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    7. OK. Basta pra mim.

      Estou me retirando deste compartimento conceitual da física-matemática axiomatizada e desta conversa infrutífera com quem acredita que o universo, a cultura humana e sua história são redutíveis a esses elementos cognitivos.

      Divirtam-se aí dentro e até sei-lá-quando-quem-sabe-um-dia.

      Ass: O tal do Daros.

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  15. Trocar ideias, informações científicas e argumentos diferentes é legal e faz as pessoas crescerem. Bater boca e disputar quem é melhor, se torna chato e contraprodutivo.
    Acredito que este não seja o objetivo do blog. Posso estar equivocado.

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    1. João Luiz

      Você tem toda a razão. No entanto, a experiência tem mostrado a existência de divergências aparentemente intransponíveis. Lidar com público tão diversificado não é fácil.

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  16. Acabo de ler o texto de Raphael De Paola, mencionado na forma de comentário de 02 de março de 2015 (18:18h). Não creio que eu possa acrescentar algo por aqui que já não tenha sido discutido neste blog. Acreditar que Aristóteles definiu de maneira irrepreensível o conceito de matéria, de modo a abranger o que hoje se sabe sobre o tema, é uma postura dogmática que não se identifica nem com física e nem com filosofia. Encaminharei uma resposta mais detalhada por email.

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    1. Haha, eu estava visitando esse post todos os dias esperando para ler sua resposta, que pena.

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    2. Confesso que eu também estava na expectativa. Se possível, caro Adonai, poste a resposta mais detalhada aqui também.

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    3. OK. Reproduzo parte do email que enviei a Raphael...

      "Você tem toda a razão sobre várias coisas que afirma, ao dizer que físicos não sabem o que é matéria e que desconhecem qualquer explicação do porquê a física funciona. E suas críticas sobre minha menção de um sentido tradicional para o conceito de matéria são extremamente pertinentes. Achei sensacional o que escreveu sobre esse tema. E o que escreve sobre minha brevíssima análise a respeito de Popper também é interessante, apesar de altamente discutível. No entanto, o contexto em que você insere essas críticas compromete gravemente sua visão. E isso é algo muito ruim, pois afasta você de pessoas sérias.

      Quando me referi a você como um defensor bizarro de certas ideias de Carvalho, foi pelo fato de você ser aparentemente uma pessoa inteligente e com boa formação (algo que Carvalho definitivamente não é). Isso não faz sentido. Uma pessoa tão jovem, com um início de carreira tão promissor (seu último artigo bom é de 14 anos atrás, de acordo com a Plataforma Lattes) e que começa a sustentar teses sem sentido algum, isso é algo que me preocupa e muito. Como pode defender que Aristóteles definiu o conceito de matéria a ponto de incorporar até mesmo a matéria escura? Até mesmo a noção de definição em ciências formais e reais evoluiu muitíssimo desde Aristóteles. De acordo com o seu currículo Lattes, você não conhece grego arcaico. Portanto, como pode defender que Aristóteles define matéria, de modo a atender à miríade de informações hoje disponíveis sobre o assunto? Você está adotando uma perigosa postura de imposição gratuita de ideias.

      [...] Se você genuinamente acredita estar defendendo alguma tese filosófica (como afirma) submeta-a para publicação em um periódico de filosofia da ciência de alto nível. Ou então tente publicar um livro sobre suas ideias através de uma editora de renome. Você receberá um feedback de referees que certamente o ajudarão. Filosofia da física (ou da ciência) não cresce a partir de blogs, vídeos no YouTube ou comentários soltos na internet. Admiro seu compromisso com o conhecimento. Mas o caminho que segue o colocará na realidade dos ignorados."

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    4. Prof. Adonai,
      Tenho acompanhado com curiosidade esse embate com o Raphael De Paola. Não tenho competência acadêmica para apreciar os argumentos de ambos os lados, mas gostaria de comentar algo sobre o Raphael.
      Pessoas com bom nível acadêmico que compram as ideias do OdeC, geralmente, são ligadas ao Opus Dei. Suspeito que o Raphael participa desse grupo. Não seria o caso de indagá-lo a respeito?
      Faço essa observação para que, aqueles que acompanham as ideias do Raphael, contextualizem os comentários dele sobre física e filosofia, porque ele está inserido dentro de uma perspectiva católica conservadora. Mesmo que não pertencente ao Opus Dei, Raphael, por ser aluno do OdeC, necessariamente tem que adotar uma visão religiosa conservadora sobre filosofia e ciência.
      O que quero afirmar aqui é que Raphael parece querer dobrar a física aos preceitos do catolicismo. A pergunta que fica é: Seria isso possível? Ou melhor: seria isso possível e adequado a partir da postura filosófica adotada por ele?
      Grande abraço,
      Rodrigo
      ps: não estou fazendo um embate fé x ciência. Apenas questiono qual é a postura filosófica do Raphael, sem a qual não é possível avaliar adequadamente as suas críticas ao que posto pelo Prof. Adonai.

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    5. Anônimo

      Seus questionamentos são surpreendentes, pelo menos para mim. Mas confesso que fazem sentido, neste primeiro momento. Conheci poucos membros da Opus Dei e, de fato, são pessoas de um radicalismo preocupante. E os poucos que conheci eram professores universitários na área de ciências exatas. Não tenho a mais remota ideia de como seria possível uma convergência entre física e catolicismo. São atividades culturais muito distantes entre si, tanto do ponto de vista de princípios filosóficos quanto de práticas sociais.

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    6. Prof. Adonai,
      Grato pela resposta.
      Como sou da área jurídica, aprendi que se pode ler o fenômeno jurídico a partir de várias posturas filosóficas (marxismo, liberalismo, naturalismo, positivismo, decisionismo, tomismo etc).
      Nessa embate com o Rapahel, me parece um pouco isso. Se o Raphael não expor claramente qual é o seu gosto filosófico, fica uma conversa de surdo com mudo porque desconhecidas as premissas do debate.
      Apenas para esclarecer: não acho que a física é apartada de outras áreas do conhecimento, mesmo a religião. Vários mitos explicam a formação do universo que coincidem com o big-bang, como é o próprio Gênesis. Mas do ponto de vista budista (talvez o próprio hinduísmo), a perspectiva é outra porque para eles não há "começo" ou "fim", mas um "desde sempre", sendo que há teorias físicas que também coincidem com esse entendimento do mundo oriental.
      (Estou certo?)
      Portanto, se defendo o big-bang cristão, a postura filosófica é uma; se o entendimento for o outro, outra construção filosófica deve ser construída.
      Sendo assim, e sem querer ser pós-moderno ou relativista, em princípio não há um certo ou errado na questão, mas modelos teóricos físicos que venham sustentar um entendimento ou outro.
      Ao que parece, não há teorias físicas que possam sustentar a posição do Raphael.
      Esse é busílis da questão.
      (É isso?).
      Por isso, concordo contigo. Se o Raphael conseguir comprovar, perante seus pares, os preceitos religiosos que defende com fórmulas matemáticas, o Nobel brasileiro tá garantido. Se não, ficaremos nesse lenga-lenga próprio do OdeC, no qual avoca-se a genialidade de um predestinado para revelar a verdade para o povo brasileiro, ignorante por natureza (que obviamente é assim por conta da ditadura comunista em curso no país...).
      Saudações,
      Rodrigo
      ps: desculpe-me por alguma afirmativa cientificamente errada.

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    7. Adonai

      Na verdade, também fico abismada. A física e matemática conduzem a abstração e a consequente liberdade completa de pensamento.
      Por esse motivo, estou muito intrigada e curiosa com o próximo evento aqui em João Pessoa que é o 1st WORLD CONGRESS ON LOGIC AND RELIGION, APRIL 1-5, 2015.

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    8. Rodrigo

      Dificilmente analogias são confiáveis, do ponto de vista científico ou mesmo filosófico. Este paralelo entre física e religião, que você sugere, é algo que tem sido promovido por muita gente (alguns até com ótima formação), mas ainda não convenceu qualquer maioria de especialistas, sejam físicos ou teólogos. Os métodos são diferentes demais. Um exemplo que sempre gosto de lembrar é o de Blaise Pascal. Foi um matemático cristão que escreveu uma obra lindíssima, hoje conhecida como Pensamentos. Neste livro Pascal defende explicitamente que a lógica de Deus é inacessível aos homens. Daí a famosa frase "O coração tem razões que a razão desconhece". O autor usa o termo "razão" em duas acepções distintas e na mesma frase. As razões do coração não se identificam com as razões dos homens. Esta postura é muito bonita. Mas não vejo como inseri-la no contexto do que hoje se entende por ciência.

      No entanto, confesso que gostei de sua analogia com uma conversa entre um surdo e um mudo. É como me senti quando tentei dialogar com Olavo de Carvalho e alguns de seus seguidores. Vivemos realidades diferentes demais.

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    9. Caríssima Mariia

      Não confio tanto assim na completa liberdade de pensamento. No entanto, estou muito curioso sobre este congresso que acontecerá em João Pessoa. Seria possível você relatar o evento (quando ele ocorrer) e publicar aqui no blog?

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    10. Prezado Adonai

      Sobre o evento vou tentar fazer isso, após o evento te mando as minhas considerações. Mas serão de alguém que não tem nenhuma crença e por outro lado não tem também muito conhecimento em filosofia ou lógica. Estou muito curiosa com a palestra do professor Newton: “Is God Paraconsistent?”. Quanto a liberdade de pensamento é assim que me sinto, a cada dia mais livre, sem dogmas ou amarras.

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    11. Mariia

      Ótimo! Teremos a chance de uma visão imparcial sobre o evento.

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    12. Prof. Adonai,
      Entendo a sua colocação com clareza; a necessidade de rigor científico nos dias atuais é uma imposição.
      Comentei sobre a religião por conta do Raphael; como a fé dele poderia influir na posição que tem em relação às ciências e à filosofia, o que me parece essencial em todo esse debate. Apenas isso.
      Não foi minha intenção demonstrar que Deus pode ser explicado através da física, ou que a física só tem fundamento se adotada premissas religiosas. Mas também não se pode negar que alguns pontos da física fazem contato com temas religiosos e que isso tem suscitados debates no ambiente acadêmico (ainda que tudo isso seja muito incipiente, não podendo ser provado cientificamente).

      Sra. Mariia Espindola,
      Esse negócio de liberdade de pensamento é um sufoco mesmo. Freud quando iniciou seus estudos médicos, a psiquiatria não era mais do que tratar o doente mental como um bicho. Freud rompeu com a ciência praticada na época quando decidiu ouvir o paciente. Quando o paciente fazia livre associações nas sessões, Freud determinava a natureza da doença, curando-o de neuroses. Como é que pode?

      Abraço a todos!

      Rodrigo



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    13. Rodrigo

      Acabo de publicar no blog uma postagem que, mais ou menos, toca em assuntos correlatos com o que você coloca. Espero que contribua de alguma forma. O fato é que uma pessoa curiosa é sempre atraída pelo mundo das possibilidades. E isso é algo bom.

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2015/03/podemos-aprender-algo-com-parapsicologia.html

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    14. Prof. Adonai,
      Que incrível!
      Quando iniciei o debate aqui tinha também em mente o filme "O Ponto de Mutação", que você aborda no último posto. Pensava que os questionamentos do filme fossem pertinentes. Mas parece que não são, né?
      Talvez fosse o caso de uma (nova) postagem sobre o rigor metodológico que os filósofos devem ter em suas pesquisas. Acho que evitaria muita confusão.
      Grande abraço (e grato pela paciência!),
      Rodrigo

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    15. “No entanto, o contexto em que você insere essas críticas compromete gravemente sua visão.”

      Mas é exatamente o contexto a modificação proposta por Raphael. Sem deixar seu contexto, Adonai nada faz senão alegar “grave comprometimento” na visão de Raphael, que parece-lhe estranha por não ter familiaridade com as categorias de pensamento que fundamentam aquela modificação.

      “E isso é algo muito ruim, pois afasta você de pessoas sérias.”

      Pessoas sérias, devemos supor, são os membros da comunidade acadêmica que compartilham da visão que Adonai defende. Em seu contexto, claro.

      “Quando me referi a você como um defensor bizarro de certas ideias de Carvalho...”

      O termo usado por Adonai foi SEGUIDOR bizarro de Carvalho, a pessoa. Agora usa “Photoshop” verbal par atenuar a desqualificação grosseira, que virou “defensor” de “certas idéias” de Carvalho.

      “...foi pelo fato de você ser aparentemente uma pessoa inteligente e com boa formação (algo que Carvalho definitivamente não é).”

      Agora desqualifica a liderança intelectual legítima de Carvalho, cuja obra ignora vergonhosamente, apelando a elogios à porção do trabalho de Raphael aceita pela academia.

      “Isso não faz sentido”.

      Perdidos no Espaço: “NÃO TEM REGISTRO...NÃO TEM REGISTRO...”

      “Uma pessoa tão jovem, com um início de carreira tão promissor...”

      Blá, blá, blá... Continua a arenga já descrita, sem focar na argumentação.

      “Como pode defender que Aristóteles definiu o conceito de matéria a ponto de incorporar até mesmo a matéria escura?”

      Uma conceptualização bem construída pode abarcar descobertas posteriores da atividade experimental. Aqui confunde-se conceito e seu recheio, pressupondo ser impossível tal conceptualização.

      “Até mesmo a noção de definição em ciências formais e reais evoluiu muitíssimo desde Aristóteles.”

      Recusa-se em deixar o âmbito das “ciências formais e reais” para avaliar as implicações de se aceitar o contexto filosófico proposto por Raphael. Além do preconceito de que o cronologicamente posterior é necessariamente superior.

      “De acordo com o seu currículo Lattes, você não conhece grego arcaico. Portanto, como pode defender que Aristóteles define matéria...”

      Quanto mais se conhece o idioma original, mais profundo o entendimento do texto. Contudo palavras são veículos de idéias, não as próprias idéias. Por meio de boas traduções, em vários idiomas, é possível acercar-se gradualmente da idéia expressa naquela língua de forma satisfatória. Esse recurso do Adonai já foi usado por Heidegger, quando afirmou que a forma física da língua alemã, portadora das “elevadas” ideias alemãs, era tão superior à das demais línguas quanto o corpo físico da raça ariana, portador do “elevado“ ser, o era das demais raças.

      “Você está adotando uma perigosa postura de imposição gratuita de ideias.”

      Apresentar novas idéias é diferente de impô-las. Sente-se ameaçado quem, recusando-se a deixá-las atuar um minuto em sua alma, quer sempre voltar correndo para o aconchego da aprovação de seus pares.

      “Se você genuinamente acredita estar defendendo alguma tese filosófica (como afirma) submeta-a para publicação em um periódico de filosofia da ciência de alto nível. Ou então tente publicar um livro sobre suas ideias através de uma editora de renome.”

      Só após a chancela de autoridades Adonai vai conceder-lhe sua atenção. Seu critério de validade encontra-se na platéia, como um HD externo. É o critério “social”, como ele mesmo chama.

      “Filosofia da física (ou da ciência) não cresce a partir de blogs, vídeos no YouTube ou comentários soltos na internet.”

      Ele não consegue pronunciar a palavra FILOSOFIA sem acrescentar-lhe o complemento DA FÍSICA ou DA CIÊNCIA. É uma compulsão inexaurível. E é exatamente este o
      obstáculo que o impede de perceber do que Raphael está falando.

      “Admiro seu compromisso com o conhecimento. Mas o caminho que segue o colocará na realidade dos ignorados.”

      Ser ignorado por quem escolhe, deliberadamente, ignorar, não é exatamente um demérito.

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    16. Rodrigo

      O filme O Ponto de Mutação tem um certo valor. Pode ser encarado como um exemplo de estímulo para discussões científicas e filosóficas entre leigos. No entanto, devemos tomar cuidado com certas afirmações feitas na película. É uma obra mais focada na defesa de uma visão do que na informação.

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  17. Rodrigo

    Na verdade, eu acho que se tratar o ser humano como bicho é pouco, pois a maioria não merece esse tratamento… Os bichos não agem como os humanos, na maioria dos casos prefiro estar com eles. Quanto a referência entre a liberdade de pensamento e Freud eu não entendi. Acho que a psicologia, a psiquiatria e a medicina são ainda muito insípidas para tratar de um ser humano, existem resultados empíricos. E bons médicos, por exemplo, sabem tratar de um paciente como um ser único, não existem modelos que possam descrever o indivíduo. Não podemos tratar os seres humanos como se fossem números, mas como indivíduos. Eu, por exemplo, tenho alergia a um antialérgico!

    De fato, considero válida a observação do professor Adonai que a liberdade de pensamento é relativa, mas com certeza religiões ou “ismos” nos tornam dependentes de determinadas linhas de pensamento. E é essa liberdade a que me reportei e a que possuo integralmente.

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    1. Alergia a um antialérgico. Mariia, essa foi sensacional!

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    2. Adonai e Rodrigo

      Solução do enigma: é o tal do q.s.p., o excipiente.

      Eu costumo ser um contraexemplo. Fiquei com paralisia temporária da corda vocal esquerda (quatro meses) após a colocação da endoprótese no aneurisma da aorta torácica... Explicação física: o nervo dessa corda vocal dá uma volta em torno da aorta! (O ser humano é um projeto mal feito!) Fenômeno que voltou a se repetir com outro paciente, e comigo quando fiz uma ressonância magnética… Essa endoprótese tinha menos de nove anos na época e foi desenvolvido na UNICAMP. Acredito que esses exemplos reforçam o quanto necessitamos do espírito científico, que reforça que a ciência humaniza…

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  18. Maria,
    Quando mencionei Freud, foi uma especulação minha sobre a insuficiência da ciência da época dele para os questionamentos que ele tinha sobre a psique humana. Talvez se ele não tivesse "rompido" com ela, não teríamos a psicologia tal como ela é hoje. Ele teve que ter "liberdade de pensamento", creio eu; ele não teria ele rompido com algum"ismo" da sua época?
    Quando você menciona os médicos, concordo contigo. E aí questiono: não será que as ciências, em alguma medida, nos distancia do senso de humanidade?
    Concordo contigo: religião e "ismos" nos tiram a liberdade de pensar porque talvez imponham escolhas em detrimento de outras opções (afinal não se pode ser adepto de Freud e Jung ao mesmo tempo); são limitadoras nesse sentido, sim. Mas será que religião e "ismos", por outro lado, não nos abrem outras possibilidades de compreender a natureza, a sociedade e e a humanidade do outro?
    Mas não se avexe: isso tudo é apenas opiniões de alguém bem leigo nisso tudo.
    Por isso agradeço o Prof. Adonai e demais participantes do blog por trazerem temas tão complexos ao público leigo, de forma acessível e instigante.
    Abraço a todos!
    Rodrigo

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  19. Rodrigo

    O homem sempre que se defronta com algum fenômeno que não consegue explicar acaba adotando um explicação sobrenatural. Como o deus da chuva, da trovoada etc. Existem ainda tribos que creem que se não reverenciarem o deus sol no escuro não haverá alvorada. Não consigo ver nenhuma conexão entre as religiões e os "ismos" e a compreensão da natureza, da sociedade ou do ser humano. Só consigo ver prejuízos, devido exatamente ao cerceamento da liberdade de pensamento. Creio por outro lado que para algumas pessoas é um grande alento, mas na maioria dos casos é uma muleta. A partir do instante em que eu aceito seguir algum dogma eu preciso restringir a minha liberdade de pensamento. Eu só entendo um pouco de física e matemática nos demais assuntos estou apenas dando os primeiros passos.

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  20. Maria,
    Entendo sua colocação.
    Por exemplo: aos participantes do Opus Dei é imposto um "Index", com restrições de livros de que podem ou não ser lidos, inclusive para aqueles que se dedicam à pesquisa acadêmica (e não são poucos).
    Mas imagino que os mitos e a religião podem, sim, servir para uma interpretação do mundo e análise das pessoas, mesmo uma integração delas com a natureza; logicamente tudo isso sem o rigorismo científico necessário, mas não é disso que falo. Faço referência à importância dos mitos na vida das pessoas e como a ausência dele é ruim para a sociedade moderna. Para maiores detalhes, recomendo a leitura de Joseph Campbell, em especial "O Poder do Mito", Rollo May, Wolfgang Roth e, lógico, o próprio Jung.
    Apenas para ser um pouco mais claro: um programa de TV ocidental acompanhou um grupo nômade das planícies asiáticas para descrever o modo de vida dessas pessoas. Em dado momento foi perguntado a um deles: "Você é feliz?" A pergunta teve que ser explicada várias vezes porque a ideia de felicidade, nos termos propostos, para aquele grupo primitivo era algo que lhes era absolutamente estranho porque "felicidade" era algo vivenciado intensamente por eles. Era como se perguntassem a eles: "você tem cabeça?".
    Abraços,
    Rodrigo

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  21. kkkk Daros você é divertido.

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  22. Deixei esse post sem ler por muito tempo, dada a maluquice que o primeiro texto sobre o tal senhor citado conseguiu reunir.

    Mas o que me atraiu para comentar foi o que Adonai colocou em um de seus comentários:

    "Neste livro Pascal defende explicitamente que a lógica de Deus é inacessível aos homens. Daí a famosa frase "O coração tem razões que a razão desconhece". O autor usa o termo "razão" em duas acepções distintas e na mesma frase. As razões do coração não se identificam com as razões dos homens. Esta postura é muito bonita. Mas não vejo como inseri-la no contexto do que hoje se entende por ciência."

    Pode não se inserir no contexto da ciência, pelo menos do empirismo, mas acredito que da filosofia da ciência sim.

    Uma relação é o problema ontológico, do limite da investigação e do saber científico. Por exemplo quando se busca conhecer a origem da matéria, ou do universo. Se a episteme não alcança o que se chama popularmente de "causa primeira", deixamos isso com "deus e sua lógica". Escrevo deus com letra minúscula justamente pois não me refiro à divindade do Cristianismo, ou de qualquer outra religião, e para não afirmar conter características que normalmente se atribuem a um deus (ser complexo, onipresente, onipotente, etc.)

    Outra ponte com esse pensamento do Pascal me parece ser a incompletude de Gödel. Restaria apenas para uma categoria de lógica divina ser "completa e consistente", ou contornar esse problema com algum truque divino. Eu não conheço os detalhes da famosa "prova" de Gödel para a existência de deus. Chutaria que não é esse o caminho que utilizou.

    Adicionalmente, o diálogo transcendente com uma entidade, abstrata ou não, que pode simplesmente representar a limitação do conhecimento racional, tem implicação na filosofia prática, como por exemplo na ética. Bem, e a ética muito se relaciona com as ciências sociais.

    Enfim, essa idéia do Pascal de que existiriam duas lógicas (racionalidades) diferentes, uma humana (falha) e uma divina (perfeita) me parece bem sofisticada.

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  23. Poderiam continuar com os diálogos....
    SENSACIONAL!

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  24. Segundo algumas publicações do estudante de Filosofia (com ênfase em Filosofia da Ciência) Douglas Rodrigues Aguiar, fundador do site Universo Racionalista, o critério de falseabilidade de Popper está superado e não contempla, como o senhor afirma no texto, áreas que são considerdas Ciência ou protociencia hoje. Um critério adotado atualmente é o de Mario Bunge, Assim, a Mecânica Quântica é vista como uma teoria científica num ponto de vista filosófico, não só como prática social. Não entendo a insistência de um cidadão que comentou em querer que o professor Adonai falasse de Física com viés filosófico. Ora, Filosofia da Física e da Ciência são o quê? Como foi alegado, o objeto estudado pela Física é diferente do da Filosofia; pode ser, contudo se se precisa fazer um estudo filosófico acerca dos fundamentos conceituais de algum ponto da Física, é melhor recorrer à Filosofia da Física (ou da Ciência), que é uma especialização filosófica para tratar de forma adequada tais assuntos. É como na medicina em que temos diversas especializações: um clínico geral pode até cogitar a possibilidade de um câncer, falar sobre de uma forma até um pouco além do que seria esperado dele se, de repente, estude ou leia sobre o que se faz de mais recente na área; porém é um oncologista que dará um parecer mais confiável acerca da matéria, por se tratar de especialidade dele. E realmente é admirável a cortesia, o cavalheirismo e a civilidade do professor Adonai.

    Renato

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